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Encontro AAARL de Medicina Esportiva - Ribeirão Preto - SP

Obesidade, Atividade Física e Emagrecimento

28/03/2008 12:12 | Por NUMESP - Núcleo de Medicina Esportiva - AAARL

Um tema muito importante para os padrões alimentícios e estéticos de hoje.

A prevalência da obesidade tem aumentado nas últimas décadas, transformando-a no distúrbio nutricional mais importante do mundo desenvolvido, uma vez que cerca de 10% de sua população é obesa. Segundo a ABESO (Associação Brasileira para Estudos da Obesidade), no Brasil, cerca de 40% da população adulta tem excesso de peso. Por ano chegam a morrer no nosso país, cerca de 50 a 100 mil pessoas por causa da obesidade. O sedentarismo e o baixo nível de condicionamento físico já são considerados fatores de risco para a mortalidade prematura tão importante quanto o fumo, a dislipidemia e a hipertensão arterial.

Já é fato comprovado e amplamente reconhecido pela comunidade científica internacional que a atividade física não só ajuda a combater a obesidade, mas também traz diversos outros benefícios à saúde como redução da resistência à insulina, prevenção e controle do diabetes mellitus do tipo 2, redução da pressão arterial e alteração do perfil lipídico do indivíduo, com maiores níveis de HDL colesterol (conhecido como o “colesterol bom”) e menores níveis de triglicérides e LDL, comparados a indivíduos sedentários.

MECANISMOS

A atividade física atua na perda e manutenção de peso em razão de diversos mecanismos. Períodos de restrição calórica associados à inatividade física reduzem a taxa metabólica de repouso (em razão de reduzir a massa muscular e a ação do sistema nervoso simpático) e o efeito térmico da comida. Assim, a atividade física é essencial para manter a perda de peso durante a dieta porque alterações fisiológicas advindas do exercício físico conduzem ao aumento do gasto diário de energia, aumento da taxa metabólica de repouso, aumento da massa muscular, aumento do efeito térmico de uma refeição, elevação do consumo de oxigênio, redução do apetite e otimização no controle dos fluxos do substrato de energia. Além de estimular a degradação de triglicérides, o exercício físico também reduz a sua formação, levando à diminuição da quantidade de células adiposas.

MODALIDADES

Algumas modalidades de exercício podem ser mais benéficas do que outras principalmente no que se refere ao balanço de energia. O gasto energético é modificado de acordo com a intensidade e o grupo muscular envolvidos. Há de se considerar também diferenças no tipo de fibra muscular e características metabólicas. Pessoas obesas têm maior proporção de fibras IIb (fibras rápidas) cuja capacidade oxidativa é menor. Como a velocidade de troca de oxigênio nessas fibras é menor, o nível de percepção de fadiga fica alterado, predispondo o indivíduo a ser menos ativo.

Por muito tempo convivemos com o mito de que o exercício moderado proporcionava maior lipólise e que por isso, esse tipo de exercício era o mais recomendado para a perda de peso. Tal hipótese, entretanto, não passa de suposição, pois estudos têm comprovado que gasto energético é mais alto no exercício de maior intensidade, tanto durante quanto após a atividade, decorrente da maior produção de calor proveniente da gordura. Dessa maneira, a intensidade do exercício deve ser aumentada à medida que o indivíduo vai se adaptando a ele, de modo a exercitar-se sempre na intensidade mais alta possível e proporcionar maior gasto energético. Exercícios intermitentes, realizados em alta intensidade, também estão relacionados a bons resultados sobre a perda de peso.

Exercícios resistidos são tão indicados quanto os exercícios aeróbicos, e a inclusão desses dois tipos de exercício no programa de atividades produz efeitos importantes na perda de peso e na promoção de saúde do indivíduo. Além do maior gasto energético, o trabalho conjunto de exercícios aeróbicos e exercícios com peso produz aumento de massa magra, ganho de resistência muscular, melhora do consumo de oxigênio e melhora da saúde óssea.

Em síntese, o emagrecimento, quando necessário, deve ser buscado por meio da associação entre dieta e exercício físico não só pelos efeitos no balanço energético, mas também pelos inúmeros efeitos benéficos que a prática regular de atividades físicas traz sobre a saúde global do indivíduo.

 

 

Referências Bibliográficas:
1)Ciolac EG, Guimarães GV. Exercício Físico e Síndrome metabólica. Rev Bras Med Esporte 2004; 10:319-324
2)Hauser et al. Estratégias para o emagrecimento. Rev Bras de Cineantropometria e Desenvolvimento Humano 2004;1:72-81.
3)Kruk J. Physical activity in the pevention of the most frequent chronic diseases: an analysis of the recent evidence. Asian Pacific J Cancer Prev 2007;8: 325-338
4)McArdle WD, Katch FL, Katch VL. Fisiologia do exercício: energia, nutrição e desempenho humano. 4ª ed. Rio de Janeiro: Ed Guanabara Koogan, 1998.
5)Associação brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, www.abeso.org.br.

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